O conceito está mais disseminado do que nunca. Entenda melhor e conheça exemplos de “smart cities” no Brasil e no mundo

por Adriana Fonseca em 18 de março de 2020

Nunca se falou tanto no conceito de cidades inteligentes. Mas o que é isso, afinal? “São cidades que unem os conceitos de cidade sustentável e cidade digital, onde o foco é a melhoria da qualidade de vida através do desenvolvimento e monitoramento de drivers e indicadores”, explica André Luis Azevedo Guedes, especialista em cidades inteligentes e professor coordenador em ciência da computação da Unisuam (Centro Universitário Augusto Motta) do Rio de Janeiro.

Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, diz que cidades inteligentes são aquelas que conseguem facilitar a vida dos moradores em todos os sentidos. “Obviamente existem diversos sistemas, tecnologias, produtos e serviços avançados. Mas a simplicidade também pode ser inteligente e inovadora. O fundamental é que a inovação seja compartilhada, que as propostas de uma cidade consigam engajamento das pessoas, que a população tenha a sensação de pertencimento ao que a cidade oferece”, afirma. “E a cidade precisa estar atenta também aquilo que vem da própria população, aos hábitos que as pessoas criam na sua relação com a cidade e que podem indicar que é a melhor forma de tornar a cidade mais acessível e humana.”

O objetivo das cidades inteligentes é solucionar os problemas da vida urbana, causados principalmente pelo crescimento desordenado sobre o qual elas se desenvolveram.

Cidades Inteligentes

Imagem ilustrativa (Pixabay)

Por que se fala tanto em cidades inteligentes, hoje?

“Porque as pessoas estão muito conectadas. A tecnologia permite uma troca de conhecimento instantânea, entre pessoas de partes distintas ao redor do mundo. Então todo mundo está vendo o que está acontecendo em todo o lugar e quer para si os avanços que surgem. A cidade inteligente virou uma demanda que a população apresenta para a administração de sua cidade”, diz Cris.

“O modelo tradicional de gestão meramente política está caminhando para seu fim. Os cidadãos em todo o mundo querem soluções para seus problemas cotidianos, além de possuírem uma maior consciência do meio ambiente que deixaremos para a geração futura”, comenta André. “As cidades são o menor espaço organizativo possível de gestão inteligente. Não é uma ‘buzzword’ ou um ‘hype’ e sim um movimento evolutivo e impulsionado pela Quarta Revolução Industrial e tecnológica que vivenciamos.”

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), as cidades inteligentes são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida. Esses fluxos de interação são considerados inteligentes por fazerem uso estratégico de infraestrutura e serviços e de informação e comunicação com planejamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade.

De acordo com o Cities in Motion Index, da espanhola IESE Business School, dez dimensões indicam o nível de inteligência de uma cidade: capital humano, coesão social, economia, gestão pública, governança, ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano, alcance internacional e tecnologia.

Ainda de acordo com a FGV, na busca por soluções, mais da metade das cidades europeias acima de 100 mil habitantes já possuem ou estão implementando iniciativas para se tornarem de fato cidades inteligentes.

Iniciativas de cidades inteligentes no Brasil

Por André Luis A. Guedes, Especialista em Cidades Iinteligentes

Niterói, no Rio de Janeiro, que aplica a tecnologia em prol da gestão da cidade em áreas como gestão de trânsito e monitoramento social georreferenciado

Juazeiro do Norte, no Ceará, com uma legislação voltada para cidades inteligentes

Rio de Janeiro, com o Centro de Operações (COR.RIO)

A Região Serrana do Rio de Janeiro, com o Distrito de Inovação da Serra (SERRATEC/DIS)

Curitiba, com o desenvolvimento sustentável e inovador, como as iniciativas do Vale do Pinhão, entre outras

Modelos expoentes no mundo

No mundo, segundo André, entre os modelos mais expoentes de cidade inteligente estão Amsterdam (Holanda), Trondheim (Noruega), Barcelona (Espanha) e Cingapura. “Elas utilizam o conceito da ‘quadruple helix’ [estrutura de hélice de inovação quádrupla] para gerar inovações para as cidades, com esforços conjuntos da academia, do empresariado, da sociedade civil organizada e dos governos. Todos são responsáveis por pensar e viabilizar projetos de curto, médio e longo prazo.”

“São cidades que utilizam conceitos e técnicas de gestão para melhorar o desenvolvimento local em conjunto com os cidadãos, gerando benefícios de caráter econômico, social e ambiental com base na adoção de novas tecnologias”

André Luis Azevedo Guedes, especialista em cidades inteligentes e coordenador da Unisuam

Publicado originalmente no Portal Whow! Inovação para Negócios – Link: https://www.whow.com.br/novas-tecnologias/cidades-inteligentes-o-que-sao-afinal/

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